segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Governador, pense também no Comércio Exterior do DF.

Governador, pense também no Comércio Exterior do DF.
Marcelo Sicoli*
O Governador eleito Dr. Agnelo Queiroz deve pensar no comércio exterior!
A afirmativa parece estranha em uma capital com forte orientação para o setor público. O ano vindouro se iniciará com desafios que passam da conclusão de obras já iniciadas ao alivio da entristecedora situação da saúde pública e do sistema educacional. Contudo, o incentivo a atividade exportadora, marca forte do Governo Federal, deve ser seguida pelo Distrito Federal. Os benefícios para as empresas que vendem ao mercado externo são diversos, tais como, melhoria da cultura administrativa e qualidade dos produtos, diversificação de mercados, ganhos de escala, geração de empregos e renda.
Frente aos principais estados exportadores, São Paulo (27,76% do total) Minas Gerais (12,76%) e Rio Grande do Sul (9,96%), o Distrito Federal aparece na 24° posição dentre as 27 unidades da federação, o equivalente em 2009 a discretos 0,09% do total, com US$130 milhões. Neste sentido, podemos sim ter como meta dobrar nos próximos quatro anos as exportações de produtos produzidos em Brasília, que hoje é basicamente de frangos e peças congeladas dos mesmos, representando 72,5% do total, seguido por soja com 15,6%.
O Governo anterior não tinha uma secretaria atuando exclusivamente com este intuito, sendo a atividade conduzida pela Subsecretaria de Investimentos Internacionais. Tal falta de foco e importância levou a uma de queda de 21% no total embarcado em 2009 em comparação com 2008. Mesmo dispondo de pequeno quadro de colaboradores esta nova secretaria, que ora propomos, poderia atingir grandes resultados.
Deve-se aproveitar a proximidade de Embaixadas e Organismos Internacionais, que são fortes fontes de captação e disseminação de oportunidades de negócios, bem como dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Agricultura e Relações Exteriores e grandes bancos estatais, principais entes da formulação de políticas públicas para promoção do comércio exterior.
Por seu reduzido território, o DF pode funcionar como um laboratório de novas políticas para posterior disseminação pelo Brasil.
As universidades, se incentivadas, também podem imprimir grande dinâmica à internacionalização das empresas locais. Freqüentemente estudantes nos procuram em buscas de estágio ou para informações de encarreiramento. Em levantamento recente feito junto aos cinco principais cursos de relações internacionais/comércio exterior daqui, percebemos que nenhum, seja público ou privado, tem empresa júnior minimamente estruturada para prestar serviços de consultoria em comércio exterior.
O estabelecimento de competição e distribuição de prêmios entre os estudantes que construírem os maiores casos de sucesso auxiliando empresas da cidade, sem dúvida irá gerar resultados admiráveis. É importante também dar aos que querem atuar no setor privado horizontes de possibilidades de emprego.
Esta secretaria que se supõe, não estar dentro das pretendidas ou exigidas por políticos profissionais e partidos, deve ser ocupada por profissionais de mercado, com dinamismo e experiência prática no assunto e, possivelmente com formação acadêmica na área. Muitas vezes, pessoas que fizeram cursos no exterior em áreas totalmente alheias a negócios internacionais acreditam estar capacitadas para operar no segmento. O slogan da secretaria poderia ser: “DF: Daqui para Fora”. E o logotipo da campanha uma simples estilização de nossa bandeira, em que as 04 setas representariam os destinos a serem conquistados por nossos produtos.
*Consultor internacional e professor. E-mail: contact@enterbrazil.com

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Our interview for TV- Nossa entrevista para a TV.

Watch our interview for Globo TV in Portuguese with English subtitles (august 2010):

Veja nossa entrevista para o Programa Globo universidade (agosto 2010)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Opportunities in the Brazilian Market for Medical Products and Devices

The market for medical products and devices in Brazil, estimated at R$ 8 billion (US$ 4.5 billion) continues to expand. From 2008 to 2009 the market grew by 6% and is expected to increase by more than 10% in 2010 according to estimates by ABIMO - Brazilian Medical Devices Manufacturers Association1. The optimism of the industry takes into account the prospects of growth in the Country, which might surpass 6,0% this year. In the pharmaceutical market for example, predictions point to a 13% evolution in 2010.

Trade balance figures show that in 2009, Brazilian exports totaled US$500 million, while imports reached US$2.7 billion; a significant deficit. Public purchases represented 21,5%, private sector 68,6% and exports 8,8% of the market, respectively
The conclusion that Brazil is already a key player continues to gain traction in the international market. Last year, Brazilian companies were able to close deals with buyers from Ukraine, Poland, Romania and Moldavia, as well as register more than three thousand contacts with representatives from 108 different countries during the largest medical-hospital fair in the world (Germany). However, major buyers are based in USA (25,8%), Argentina (8,1%) and Mexico (6,9%). Brazil has approximately 500 manufacturers of medical, hospital and dental equipment. Company size includes 52,2% mid cap and 25,7% in the small to micro cap range.

Orthosis, Prosthesis and Related Material (OPRM), used in medical interventions accounts for up to 80% of a hospital bill. The technological advancement of this field has been remarkable, mainly in some specialties like spine, orthopedic and cardiovascular surgery.

Since May 2010, it became mandatory for all requests for registration, revalidation and post registration amendments to present a GMP (Good Manufacturing Practices) certificate issued by Anvisa (the Brazilian FDA). Previously, presentation of the document was restricted to medicines. It´s one of the agency´s competencies to oversee the quality of medical equipment and grant its authorization. Today, roughly 85% of all registration requests for medical equipment and orthopedic implants are not approved on the first attempt. The companies are requested to make corrections for poor elaboration of the dossiers. Initial denials range from the absence of a document, a test or even the lack of clarity on the information provided.2 Anvisa, nonetheless, tries to improve its methodology for registration granting, ensuring higher speed and competitiveness for companies.

“Due to the huge growth of this industry, both national and international manufacturers are interested in broadening its activities by improving its manufacturing quality and/or assessing the possibility of having a production base installed in Brazil. In a market that frequently doesn’t see much competition on the quality and technology side, foreign companies are constantly gaining room in the Brazilian market”, said Glauco Santos, director of Register Brasil, a regulatory consulting company in Brazil.
It’s important to highlight that a normative resolution by the National Health Agency-ANS, RN 211 January 2010, updated the set of procedures and events that health plans are obliged to cover, including high priced items such as some OPRMs. The resolution entered into force on June 2010, with the inclusion of exams such as PET-scan (Positron Emission Tomography)3, Hyperbaric Oxigenotherapy and Periungueal Capillaroscopy. RN 211, added 54 procedures to medical-hospital plans as well as 16 to dental, to a list totaling more than 3000 items. This forces hospitals and clinics to update and adapt to the new guidelines.

In regards to pharmaceutical products, the Ministry of Health, which usually purchases on the grounds of the lowest price, has changed its methodology to avoid buying low quality products usually from developing Asian countries. Local content has become more important in this decision. A similar trend is observed with medical products and equipment. Products made in Brazil, undergo strict quality control, avoid high import tariffs and take advantage of the proximity of the consumer market. There is a huge potential for foreign companies, since most of these products still come from abroad.

*Marcelo Sicoli and Thaise Mrad, consultants with Enterbrazil Consultancy.
E-mail: contact@enterbrazil.com

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Oportunidades no Mercado Brasileiro de Produtos e Equipamentos Médicos*

Oportunidades no Mercado Brasileiro de Produtos e Equipamentos Médicos*
O mercado de produtos e equipamentos médicos no Brasil, estimado em quase R$ 8 bilhões(US$ 4,5 bilhões), está em expansão. Depois de um crescimento de 6% em 2009, na comparação com 2008, deve aumentar mais 10% em 2010, segundo estimativas da ABIMO - Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios1. O otimismo da indústria leva em conta as perspectivas de crescimento do País que deve ultrapassar 6% este ano. No mercado farmacêutico por exemplo, a expectativa é que haja um crescimento de 13% em 2010.
Os números da balança comercial do setor mostram que em 2009, as exportações somaram pouco mais de US$ 500 milhões, enquanto que as importações ultrapassaram US$ 2,7 bilhões; um déficit significativo. O setor público representou 21,5% das compras, o setor privado 68,6% e as exportações 8,8%. A constatação que o Brasil já é um importante ator ganha força no mercado internacional. No ano passado, efetivou negócios com compradores da Ucrânia, Polônia, Servia, Romênia e Moldávia e registrou mais de 3 mil contatos com representantes de 108 países na maior feira dirigida ao setor médico-hospitalar, que aconteceu na Alemanha. No entanto, os principais compradores são os Estados Unidos(25,8%), Argentina (8,1%) e México (6,9%). O Brasil possui cerca de 500 fabricantes de equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos. As indústrias de médio porte representam 52,20% e as micro ou pequenas respondem por 25,7%
Os materiais de O.P.M.E - Órteses, Próteses e Materiais Especiais – utilizados em intervenções médicas, representam até 80% do total da conta hospitalar. O avanço tecnológico nessa área tem sido notável, principalmente em algumas especialidades como cirurgias de coluna, ortopédicas e cardiovasculares.
Desde maio de 2010, todas as petições de solicitação de registro, revalidação e alterações pós-registro de produtos passaram a ter que apresentar protocolo de Certificação de Boas Práticas de Fabricação e Controle (CBPFC) emitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Antes, a apresentação do certificado era restrita a medicamentos. É de competência da própria Agência avaliar o sistema de qualidade dos fabricantes de equipamentos e produtos médicos e conceder a sua certificação. Hoje cerca de 85% dos processos de registro de equipamentos médicos e  implantes ortopédicos não são aprovados na primeira solicitação; recebem pelo menos uma exigência por estarem mal-instruídos. Os motivos podem ser a ausência de um documento, de um teste ou até mesmo a falta de clareza na prestação das informações.2 A Anvisa no entanto, tenta acelerar os processos de concessão de registro, garantindo maior agilidade e competitividade entre as empresas.
Segundo Glauco Santos, diretor da empresa de assuntos regulatórios Register Brasil : “Em virtude do grande crescimento deste setor no País, tanto os fabricantes nacionais quanto os internacionais estão cada vez mais interessados em expandir o seu crescimento, seja melhorando a qualidade da fabricação de seus produtos, seja analisando a possibilidade de possuir uma base de produção instalada no Brasil. Em um mercado que muitas vezes não possui uma concorrência no nível de qualidade e tecnologia necessária, as empresas estrangeiras estão cada vez mais ganhando espaço no mercado nacional.”
É importante destacar que a resolução normativa da ANS (Agência Nacional de Saúde) – RN 211 de Janeiro de 2010, atualizou o rol de procedimentos e eventos que os planos de saúde estão obrigados a cobrir, incluindo os produtos de alto custo como os de OPME. Ela entrou em vigor em junho de 2010, com a inclusão de exames como a PET-scan (Tomografia por emissão de Positrons)3, a oxigenoterapia hiperbárica e a capilaroscopia periungueal. A RN 211, adicionou 54 procedimentos para os planos de saúde médico-hospitalares e 16 procedimentos para os planos odontológicos, totalizando um conjunto de mais de 3000 procedimentos. Isto obriga os hospitais e clínicas a se atualizarem e adequarem.
No que tange a aquisição de produtos farmacêuticos, o Ministério da Saúde que baseia suas compras em menor preço, tem mudado a metodologia justamente para evitar comprar produtos de baixa qualidade oriundos especialmente de países em desenvolvimento asiáticos. O conteúdo local, tem se tornado cada vez mais importante nesta decisão. Tendência similar tem acontecido com o setor de equipamentos médicos.
Os produtos fabricados no Brasil, passam por um controle de qualidade muito mais rigoroso, mas, por outro lado, evitam as elevadas tarifas de importação e aproveitam da maior proximidade com o mercado consumidor. Há um grande potencial para empresas internacionais, uma vez que muitos desses produtos ainda vêm de outros países.

*Marcelo Sicoli e Thaise Mrad, consultores da Enterbrazil
E-mail: contact@enterbrazil.com

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CONSULTORIA OBSESSIVA COMPULSIVA

CONSULTORIA OBSESSIVA COMPULSIVA
Marcelo Caus Sicoli*

Trabalho como consultor para grandes empresas, associações setoriais e órgãos públicos há alguns anos. Contratado muitas vezes para reunir informações estratégicas e traçar pareceres (por vezes salpicados de críticas e ressalvas) com o objetivo de melhorar processos e produtos. Como em muitas profissões, nas quais suas atividades têm que ser exercidas durante as 24 horas do dia (policiais, médicos, etc.), a prática de consultoria pode virar uma obsessão.
Às vezes, por solidariedade ao trabalhador da economia informal, para tornar o mundo melhor ou pela pura compulsão, começa-se a dar palpite em tudo. Na frente do teatro movimentado, vendo um único vendedor de pipocas comercializando seu produto a R$1,00 , explico a ele que pela exclusividade temporária de mercado, pelo valor percebido pelo público-alvo que muitas vezes está acostumado a pagar valor 8 vezes maior pelo produto e que pelo valor médio cobrado por outros profissionais autônomos com equivalente grau de escolaridade por hora de trabalho, ele poderia cobrar pelo menos o dobro. Na lanchonete do aeroporto pego o cardápio escrito “Inglês” na capa e acrescento um “English”. Afinal, se o cardápio é para falantes de Inglês... Na pequena academia de meu prédio, triste com a bagunça dos pesos deixados por meus vizinhos, implementei vertentes do sistema japonês 5S (pautado pela busca por organização), espalhando etiquetas com números para se ter uma referência de onde guardar os materiais. Vou ao Shopping e alerto a gerente da loja de luxo que “prescisa-se (sic) de vendedores” está grafado incorretamente, podendo ocasionar substanciais perdas de imagem junto a suas consumidoras. Fora as caminhadas pelas ruas de Brasília, quando cato o lixo espalhado pelo chão, ou as dezenas de e-mails que recebo com erros grosseiros de português que a simples verificação em um editor de texto (como faço com freqüência) já teria poupado o remetente de passar vergonha. Neste último caso, muitas vezes contenho minhas críticas.
Em recente viagem à Costa Oeste dos EUA, percebi que as coisas lá funcionam melhor e são mais profissionalizadas. Quando se analisa em termos comparados, percebe-se que o Brasil já avançou muito, estando à frente de centenas de nações, mas ainda muito aquém de outros países, no aspecto turístico, por exemplo. Ao refletir sobre Brasília, me lembro que os pontos de assistência ao turista simplesmente não funcionam. E que o elevador da Torre de TV está sempre quebrado. Por que não se cobra R$3,00 de cada visitante, gera-se empregos formais e mantém este importante ponto turístico ativo?
Como bom ensaio de embelezamento da cidade para a Copa do Mundo 2014, finalizo dando uma sugestão para o Banco do Brasil: reformem a Galeria dos Estados (situada no “coração” da Capital Federal, para os não-residentes na cidade). Como assim? Peguem parte das verbas aplicadas em outdoors e anúncios em revistas e TVs e reformem as calçadas, consertem o relógio há décadas quebrado, coloquem novas lixeiras e no final uma placa de bronze com os dizeres: “Presente do Banco do Brasil para Brasília”. Será um projeto com impacto socioambiental com grande visibilidade e com retorno de imagem superior ao que estamos habituados/cansados de ver. Prestar-se-á grande serviço de utilidade pública para a capital do Brasil, brasilienses, candangos, turistas e para os milhares de funcionários do Banco do Brasil que lá transitam diariamente.
*Professor e consultor internacional. Outros artigos do autor em: http://enterbrazilconsult.blogspot.com E-mail: contact@enterbrazil.com