segunda-feira, 21 de julho de 2014

Urgente mudança de paradigmas sobre estacionamentos em Brasília

Urgente mudança de paradigmas sobre estacionamentos em Brasília
Por Marcelo Sicoli *

O trânsito nos grandes centros urbanos brasileiros piora anualmente. Na mesma proporção, a crescente falta de estacionamentos públicos e privados pagos. Brasília vai na mesma direção, são quase 600 novos veículos emplacados por dia. A cidade sofre com problemas no transporte público em razão de mau planejamento, falta de investimento e constantes greves. Por ser sede do Governo Federal, outro fator recente de impacto no trânsito baseia-se nas frequentes manifestações que fecham avenidas centrais da cidade ou rodovias em bairros periféricos. Manifestações ordeiras e moderadas fazem parte de uma democracia, mas discordo totalmente de interrupções integrais do Eixo Monumental por qualquer categoria profissional ou movimento social em qualquer horário como as que, de forma desagradável, já presenciei.

Devo registrar que sou um grande entusiasta do uso da bicicleta. Com frequência, me desloco do prédio onde moro para o prédio onde trabalho (sou síndico de ambos). Pela curta distância, faço o trajeto utilizando roupas sociais e sapato. Incentivo sempre outras pessoas a fazerem o mesmo e a percorrerem curtos trajetos a pé, em que, muitas vezes pela força do hábito, usamos o carro.

A mentalidade dos brasilienses está mudando aos poucos. No entanto, ao mesmo tempo que se fazem ciclovias, bicicletários e campanhas educativas, é urgente a mudança de paradigma na utilização de gramados ou áreas abandonadas cobertas basicamente por barro. Esses espaços devem ser convertidos em organizados espaços de estacionamento. Arquitetos e urbanistas conservadores podem ser críticos ferrenhos dessa ideia.

Especialmente nas regiões do Setor Sudoeste, SIG, Cruzeiro e Octogonal, que percorro com mais frequência, vejo que áreas de estacionamento podem ser criadas preservando vastos trechos de área verde e árvores e em harmonia com pedestres e ciclistas. Ao leitor, em visita ao Sudoeste ou SIG, sugiro notar a quantidade de novos prédios comerciais. Onde está o estacionamento para os clientes dessas empresas? Não há. Dificilmente os estacionamentos privativos e subterrâneos darão conta da demanda por vagas. E os funcionários das empresas que possuem carros? Na maioria dos empreendimentos, há apenas uma vaga por sala. Carros irão inevitavelmente subir nas calçadas e parar em locais irregulares, e em alguns casos receber desagradáveis multas.  No Centro Clínico Sudoeste, diariamente presencio este problema.

Preservação urbanística a parte, vejo que os órgãos do Governo do Distrito Federal que fazem a análise sobre áreas de estacionamento devem ser mais rápidos e flexíveis. Além disso, percebo que os órgãos responsáveis por sua execução estão constantemente trabalhando para este objetivo, gerando importantes empregos diretos e indiretos. O Governo deve ter em mente o desenvolvimento econômico das novas e atuais empresas da cidade. Comodidade para os trabalhadores da iniciativa privada e seus milhares de clientes, que são os responsáveis pelo pagamento dos expressivos impostos pagos no País. Brasília tem uma importante e crescente economia privada que deve receber mais atenção e prestígio.


Marcelo Sicoli – é consultor internacional, corretor de imóveis e síndico do Centro Clínico Sudoeste e Residencial Unique Club também no Sudoeste.  sindicoccs@outlook.com


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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Curso de RELAÇÔES INTERNACIONAIS, uma visão em constante atualização.

Curso de RELAÇÔES INTERNACIONAIS, uma visão em constante atualização.

Seguindo solicitação de muitas pessoas, escrevi este pequeno artigo em 2002, fazendo várias revisões ao longo dos anos. A última em julho de 2014.  Ele fala um pouco sobre o curso de Relações Internacionais. “REL” aqui em Brasília, mas chamado de “R.I” Brasil afora. Graduei-me em 2000 na UnB(Universidade de Brasília) e desde então faço consultoria para empresas estrangeiras, empresas brasileiras, governo brasileiro e diversos governos estrangeiros(www.enterbrazil.com).
 Um grande problema do curso é que não existe uma unificação curricular nacional, logo o conteúdo dado na UnB, pode variar bastante do ministrado em outras universidades.
 Alguns cursos tendem mais para o comércio exterior ou negócios internacionais e outros para a área diplomática. Lembro que para se fazer o concurso do Instituto Rio Branco para se tornar diplomata, pode-se ter qualquer curso superior (engenharia, medicina, direito etc), mas a graduação em R.I lhe dará uma boa base.
 O curso da UnB em particular, é criticado e elogiado ao mesmo tempo pela sua multidisciplinaridade. Vemos matérias de Direito, Relações Internacionais, Ciência Política, Economia, Sociologia, Administração, Comércio Internacional, História e outras, dependendo do direcionamento que você quer dar ao seu curso. Já que 1/3 das matérias são optativas, você pode direcioná-lo para sua área de maior interesse.
 Algumas críticas surgem, pois sabemos pouco de muito, e elogiado pela formação generalista, podendo abordar um problema por diversas óticas. Este é um perfil interessante para algumas empresas e altamente desinteressante para outras, que preferem contratar um profissional com formação especifica, um bacharel em Direito ou Administração, um analista de comércio exterior(que conhece a burocracia envolvida numa exportação/importação) ou um economista. 
  Site interessante para coletar informações sobre o curso e sobre  Relações Internacionais de forma geral é o RELNET(www.relnet.com.br) . Também o site do departamento de Relações Internacionais da UnB(http://irel.unb.br ) que tem uma seção de perguntas frequentes sobre a carreira e sobre o curso, voltada para estudantes que estão em dúvida. Você também pode visitar a página de outras faculdades que oferecem o curso e ter outros pontos de vista.
            Em 2011,  falava-se sobre uma reforma curricular no curso da UnB, mas ninguém sabia explicar muito bem . Para o internacionalista, ingressar no mercado de trabalho, pode não ser muito fácil. Ainda mais agora com a proliferação de cursos por todo o Brasil, em diversas faculdades . Entretanto, dependendo do direcionamento que você der, pode haver oportunidades interessantes sim.
 Muitos que se formaram em R.I comigo fizeram concursos públicos, que não necessariamente requerem os conhecimentos adquiridos durante a graduação. Os salários do setor público são bastante atraentes no geral. Muitas vezes,  o pré-requisito para fazê-los é ter um curso superior completo qualquer, e às vezes você vai trabalhar com algo diferente do que planejou. Como estar traçando políticas públicas, atividades de auditoria ou gerenciando projetos para estados e municípios em questões puramente internas e sem uma vertente internacional.  Para a maioria dos concursos públicos, se parte praticamente do zero, já que tem que se estudar direito administrativo, constitucional, português, as vezes contabilidade, raciocínio lógico e matérias específicas daquele certame. Fazer concursos públicos é uma cultura bem forte aqui em Brasília como devem saber.
Alguns egressos dão a sorte e têm a competência de passar nos diversos e concorridíssimos processos seletivos para trainee de grandes empresas brasileiras ou estrangeiras. Há diversos sites que divulgam estas oportunidades.  O segredo é no último ano de graduação e nos dois primeiros anos de formado sair se escrevendo em todos e participar do  máximo de processos seletivos possíveis. Porém, a maioria dos processos são feitos apenas em São Paulo e deve-se estar disposto a mudar de cidade e em alguns casos morar em pequenas cidades no interior do país no inicio de carreira.
Resumindo há oportunidades de trabalho no setor privado, setor público brasileiro, embaixadas estrangeiras, meio acadêmico e organismos internacionais.
A cada vestibular a concorrência para o curso tem aumentado, apesar de todas as dificuldades mencionadas por mim anteriormente. Acredito que existem outros cursos um pouco mais fáceis de ingressar, que podem oferecer uma boa satisfação profissional no futuro, como a Economia, por exemplo, ou para quem tiver o perfil : Contabilidade. Em 2006(em uma das revisões do texto),  via a contabilidade como um bom curso, pois permite tanto trabalhar numa grande empresa, ser empreendedor em seu pequeno escritório, ou pegar uma boa base para fazer diversos concursos com altos salários. Prepare-se para estudar muito matemática.
 Sobre a parte relativa ao inglês, desde o primeiro semestre há uma carga muito grande de leitura, sendo muita coisa naquela língua. É claro que se aprende bastante durante o curso, à medida que somos incentivados , ou obrigados a ler textos em inglês ou participar de eventos ou palestras que este é o idioma oficial.  Para se graduar, todos alunos têm que fazer uma prova de proficiência na língua, que pode ser feita nos últimos semestres do curso. Logo, se a pessoa não consegue ler textos em inglês, vai ter dificuldades durante o curso.  Na UnB, existe a necessidade de se cursar dois semestres de outra língua, como espanhol, alemão ou francês. Em 1997, quando entrei na universidade,  um professor visionário falava da importância de estudar chinês. Pode-se fazer exames de conhecimento e ganhar os créditos acadêmicos sem necessidade de cursar as disciplinas.  Diferente do que pode-se imaginar, é possível  se graduar tranquilamente sem saber uma palavra de francês.
  Chama atenção de alguns alunos do curso o Centro de Simulações de Organizações Internacionais (CSOI) que é uma entidade não-lucrativa que visa fomentar a prática da negociação internacional através dos chamados modelos das Nações Unidas (MUNs) e de outras organizações internacionais. Estes eventos são uma curta conferência simulada, normalmente de 4 dias de duração, onde estudantes de diversas universidades reproduzem os procedimentos de negociação tomados no âmbito das mais importantes organizações internacionais. Cada universidade representa um país. Os estudantes são assim chamados “delegados”, e são alocados em diferentes comitês como o Conselho de Segurança, Comitê sobre refugiados, saúde, ou jurídico da Assembleia Geral da ONU.
       Várias universidades, como Harvard, Yale, Georgetown e UnB, mantém seus modelos anuais, atraindo estudantes de diversas regiões do planeta. A principal tarefa do CSOI é preparar e dar apoio logístico às delegações da UnB frente a estes desafios internacionais. O Clube foi fundado em 1997 e o primeiro modelo de que participou foi o Modelo de la Organización de los Estados Americanos em Buenos Aires, representando a Guiana e recebendo menção honrosa para os delegados do Comitê Jurídico e Político. Em 1998, com apenas 18 anos, tive uma experiência de vida marcante: Representando o Brasil junto com mais 11 colegas brasileiros da UnB, recebemos o  prêmio de melhor delegação, conferido pela Universidade de Harvard. Evento realizado em Bruxelas-Bélgica - Harvard World Model United Nations . Ou seja, fomos campeões mundiais!!!!

 Uma alternativa bastante interessante para aqueles que tem interesse pela área internacional, mas não necessariamente querem fazer uma graduação inteira, é optar por outro curso superior na área de humanas na graduação, e fazer um dos diversos bons cursos de pós-graduação na área de R.I, ou comércio exterior que duram entre um e dois anos, seja um mestrado, um MBA ou cursos de mais curta duração.
No youtube (https://www.youtube.com/watch?v=y4pr0ksmZpU) , você poderá assistir um curto vídeo produzido para o programa Globo Universidade em agosto de 2010, onde eu sou o profissional escolhido para representar a categoria dos internacionalistas.
  Espero ter esclarecido um pouco de suas dúvidas. Fico a disposição.

Marcelo Sicoli (contact@enterbrazil.com